Grupos internacionais como Marriott; Sofitel; GT e Atlântica; que possuíam grandes empreendimentos; deixaram o mercado de resorts. Essa atitude pede mais do que uma reflexão – ela indica o caminho perigoso e ameaçador que o setor de resorts enfrenta. Essa não é a primeira vez que temos que lutar para que os resorts sobrevivam à grandes adversidades. Na ocasião em que fomos vítimas do “ataque” dos cruzeiros; que aportaram sem qualquer critério nos mares do Brasil; os resorts brasileiros exercitaram o mais competitivo dos seus preços; o melhor da sua criatividade; as estratégias mais ousadas para vencer o concorrente desleal.
Agora; é a vez de driblar o dólar baixo; aliado à queda de turistas estrangeiros. E todos sabemos que fazer “marketing agressivo” não vai resolver. Não existe milagre quando o setor paga altíssimas taxas de impostos.
Diante de um faturamento bruto de cerca de 1 bilhão; pagamos diretamente quase 170 milhões de impostos; grande parte deles dirigidos a INSS e FGTS. O custo Brasil pesa exageradamente para o empresário frente à série de obrigações; em especial na folha. Em 2010; o setor gerou cerca de 95 mil postos de trabalho. Temos; juntos ; quase 12.300 apartamentos e nossa taxa de ocupação está em 49%; 6% abaixo do valor mínimo para gerar rentabilidade.
Os meses de baixa; junho; agosto; setembro; quando o turista europeu ou americano compensava de alguma forma a falta do turista interno; viraram verdadeiros fantasmas na vida dos dirigentes comerciais. Reconheço e muito o quanto Turismo no Brasil se profissionalizou; se organizou; mas são ainda muitos os entraves que enfrentamos.
Temos uma necessidade imediata – a de que haja uma redução pontual de tributos para minimizar o impacto do dólar fraco; como ocorreu com a desoneração de automóveis; eletrodomésticos e com o setor de TI que; para se tornar mais competitivo; conseguiu a desoneração de sua alíquota de INSS.
Há vários empreendimentos que podem atravessar o mau momento se apoiando em eventos. Estudo comparativo feito pela Resorts Brasil mostrou que em 2010; a taxa de ocupação com eventos foi 16% maior do que a taxa de ocupação com lazer.
Mas e aqueles que se focam somente no lazer? E os pequenos do Nordeste? A Resorts Brasil representa um setor e não individualidades. Já fizemos pleitos no Ministério do Turismo em anos passados e estamos de novo reivindicando a nossa sobrevivência; porque contribuímos com o país – empregamos; investimos; cuidamos de comunidades vizinhas; desenvolvemos pólos. Somos uma excelente e democrática opção de turismo para a família brasileira e não vamos ficar quietos.
Rubens Régis é presidente da Resorts Brasil