
Influenciadores, turismo e o futuro do consumo: o que esperar do casamento entre redes sociais e e-commerce? A Skift responde (Freepik)
A relação entre o setor de viagens e influenciadores digitais, embora desconfortável para alguns, tem mais de uma década de história. Esses criadores de conteúdo, que transformam destinos em sonhos e experiências em desejos instantâneos, estão prestes a ocupar um papel ainda mais central no universo do turismo.
Se antes a missão dos influenciadores era alimentar o FOMO (medo de ficar de fora) com paisagens idílicas e experiências exclusivas, agora eles oferecem algo mais direto: uma ponte instantânea para a realização do desejo. Com um clique, o consumidor não apenas admira a experiência, mas pode reservá-la. E isso se tornará cada vez mais prático, de acordo com um estudo de tendências da Skift.
Redes sociais e o poder do botão de compra
O jogo muda de forma drástica com a chegada do e-commerce integrado às plataformas sociais. Instagram, TikTok e YouTube estão em uma corrida para superar desafios técnicos e regulatórios e implementar botões de “compra” diretamente em seus conteúdos. Esse movimento transforma a navegação descompromissada em reservas instantâneas, mudando como viagens são vendidas e compradas.
Olhando para o futuro: lições da China
A China lidera o caminho desse futuro conectado. Por lá, influenciadores já vendem pacotes turísticos diretamente em plataformas como Douyin (versão local do TikTok), Weibo e Xiaohongshu. O chamado “comércio social” provou ser incrivelmente eficaz.
Um exemplo marcante é o da Klook, plataforma de experiências de viagem. Segundo Eric Gnock Fah, presidente da empresa, as vendas na China quadruplicaram em relação a 2019, com grande parte desse crescimento vindo de parcerias com influenciadores. “Estamos investindo menos em mecanismos de busca e grandes marcas e mais nos criadores”, explica Fah. Esse movimento também impacta no fortalecimento da marca, já que as parcerias com criadores têm se mostrado mais eficazes que os canais tradicionais de publicidade.
Os desafios de uma revolução global
Porém, a transição para esse modelo não é simples. Desafios técnicos e regulatórios permanecem. Um influenciador que promove uma viagem para a Provence, por exemplo, alcança consumidores em jurisdições diversas como Perth, Pittsburgh e Pune, cada uma com regulações específicas de venda. Além disso, problemas com sistemas de pagamento locais e plataformas de reserva desatualizadas também dificultam a integração plena.
Mesmo assim, o mercado não espera. Empresas como TrovaTrip e Luxury Travel Hackers surgiram para transformar influenciadores em verdadeiros agentes de viagem, oferecendo serviços de backend, como cobrança e organização de pacotes personalizados.
Reflexões para o mercado brasileiro
O Brasil, com sua diversidade cultural e apelo turístico, tem muito a ganhar ao adotar estratégias de comércio social. Com 80% dos viajantes consultando as redes sociais antes de planejar uma viagem, é evidente que influenciadores já ocupam uma posição estratégica. Contudo, as empresas precisam se adaptar rápido para não se tornarem obsoletas.
Os influenciadores, capazes de transformar publicidade em conversa e consumo em experiência, estão se tornando um dos canais mais poderosos do turismo. O futuro pertence a quem souber navegar entre plataformas, audiências e transações. E você, como profissional ou consumidor, está pronto para embarcar nessa jornada?