Ainda nesta semana o governo deve decidir se o horário de verão será retomado no Brasil. A possibilidade está atrelada à falta de chuva no país, ao mesmo tempo em que o Ministério de Minas e Energia tem buscado estratégias para economizar eletricidade. O ministro Alexandre Silveira disse que atrasar o relógio em uma hora por alguns meses pode ser benéfica em um “momento crítico” para o sistema elétrico, em que o calor intenso e o aumento do consumo durante os horários de pico, que hoje ocorrem no meio da tarde, geram desafios adicionais.
+++Leia também: Entidades do setor aéreo demonstram preocupação com mudança súbita
Porém, estudos realizados anteriormente indicam que o horário de verão pode ter o efeito contrário, ocasionando um aumento no consumo de energia devido a novos padrões de uso. O aumento do consumo em horários de pico é um dos fatores que despertam incertezas sobre os benefícios da medida. O ministro Silveira também apontou que, no início da noite, quando o consumo é elevado, o sistema perde geração de fontes intermitentes, como a solar e a eólica, obrigando a utilização de termelétricas e mais hidrelétricas para atender à demanda.
+++Também pode interessar: Volta do horário de verão é apoiado por 54% da população segundo estudo
Em setembro do ano passado, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) destacou em nota que o horário de verão gera impactos positivos na economia, com um aumento de 10% a 15% no faturamento do setor entre 18h e 21h durante esse período. A Abrasel argumenta que a medida também promove um “terceiro turno” para os estabelecimentos, beneficiando o consumo e a frequência de clientes, além de ajudar na economia de energia e na redução de custos operacionais.
Durante um evento no Palácio do Planalto, o vice-presidente Geraldo Alckmin minimizou a possibilidade de racionamento de energia, mas reconheceu que a volta do horário de verão é uma “alternativa” em análise diante da seca prolongada. “Não vai faltar energia, mas precisamos da colaboração de todos. O horário de verão pode ser uma boa estratégia para economizar energia”, afirmou Alckmin.
Vale lembrar que o horário de verão foi abolido no início do governo Jair Bolsonaro, em 2019, após uma avaliação que indicou que a medida não fazia mais sentido do ponto de vista do setor elétrico. A decisão também se baseou em preocupações com a saúde, já que mudanças nos horários podem afetar o sono e a saúde cardiovascular de algumas pessoas. No ano passado, uma nova análise do Ministério de Minas e Energia descartou a volta do horário de verão, justificando que a mudança nos hábitos de consumo fez com que o adiantamento dos relógios não resultasse mais em redução significativa do consumo elétrico.