BONITO – Neste segundo dia do Inspira Ecoturismo, em Bonito (MS), o painel de abertura trouxe um tema crucial para o futuro do setor: Sustentabilidade nos Meios de Hospedagem. Mediado por Hellen de Almeida, do Centro Sebrae de Sustentabilidade, o debate contou com contribuições de grandes nomes do ecoturismo no Brasil, como Messias Fernandes, da Morada dos Canyons (SC), Emiliano Brugnera, do Cambará Eco Hotel (RS), e Ana Duék, fundadora do Viajar Verde.
O foco da discussão foi a importância de práticas sustentáveis na hotelaria, com os painelistas abordando a crescente necessidade de que os empreendimentos se alinhem aos princípios de preservação ambiental, consumo consciente de recursos e integração com as comunidades locais.
Tornar um negócio de hospedagem mais sustentável envolve uma série de adaptações que, inicialmente, pode parecer financeiramente desafiador.
Messias Fernandes, da Morada dos Canyons, destacou que os investimentos iniciais em tecnologias verdes, como sistemas de reaproveitamento de água, painéis solares e produtos biodegradáveis, podem ser elevados. “Esses custos, à primeira vista, assustam muitos empresários, mas é preciso enxergá-los como um investimento a longo prazo”, afirmou.
Messias Fernandes destacou que a sustentabilidade no ecoturismo é fundamental para garantir que os recursos naturais, base das experiências turísticas, sejam preservados para as gerações futuras. Ele ressaltou que, em meios de hospedagem, o consumo de água e a geração de resíduos são alguns dos maiores desafios. Identificar esses impactos é o primeiro passo para traçar estratégias de redução.
Emiliano Brugnera complementou ao afirmar que, além de preservar a natureza, é essencial envolver as comunidades locais no processo. Hospedagens que geram empregos e promovem o compartilhamento de cultura com os turistas fortalecem a economia local e criam uma cadeia sustentável. “Cada empreendedor tem um papel importante na questão climática”, afirmou, apontando que a escolha de produtos biodegradáveis e a adoção de práticas de eficiência energética são caminhos para um impacto ambiental reduzido.
Já Ana Duék, do Viajar Verde, destacou que as práticas sustentáveis nos meios de hospedagem estão se tornando cada vez mais um fator decisivo na escolha dos turistas. “Hoje, não é apenas o valor da diária ou a qualidade dos serviços que influenciam a decisão dos viajantes. A reputação de um hotel em relação às práticas sustentáveis passou a ser um diferencial competitivo importante”, afirmou. Ela mencionou que os turistas estão cada vez mais atentos ao impacto que suas viagens causam e buscam opções que respeitem o meio ambiente e as comunidades.
O painel também enfatizou a necessidade de que negócios de hospedagem mapeiem os impactos gerados, tanto negativos quanto positivos, e utilizem esses dados para promover melhorias contínuas. “É importante que as empresas tenham indicadores claros de consumo de recursos, geração de resíduos e outros impactos para, a partir daí, estabelecer metas de redução”, comentou Messias Fernandes.
A busca pela sustentabilidade, como pontuado pelos painelistas, vai além de medidas pontuais: trata-se de uma visão de longo prazo, onde o respeito pela natureza e pela cultura local é o alicerce de um turismo verdadeiramente sustentável. A hotelaria que investe nessas práticas tem um papel transformador, ao mesmo tempo em que maximiza os benefícios para a economia local e garante experiências mais autênticas e conscientes para seus hóspedes.
Esse debate reforça que a sustentabilidade na hotelaria no Brasil não é apenas uma necessidade ambiental, mas também um diferencial competitivo e uma responsabilidade social, especialmente em destinos voltados ao ecoturismo, como Bonito. O caminho para o futuro passa por uma compreensão profunda dos impactos e pela adoção de práticas que preservem a riqueza natural e cultural, garantindo a continuidade do turismo de maneira equilibrada e responsável.