
O conteúdo foi escrito por Rafael Delgado, head de Implantação e Operações da Livá Hotéis & Resorts (Banco de Imagens/ Pexels)
Importar pessoas em vez de exportar mercadorias. Essa, para mim, é uma das particularidades mais interessantes do turismo, uma forma eficiente de injetar dinheiro na economia de uma região. Outro aspecto relevante que proponho à reflexão nesse Dia Mundial do Turismo, 27 de setembro, é o lado humano da atividade, que está intrinsecamente ligado às pessoas. Isso faz dela uma indústria dependente dos recursos humanos, que emprega muita mão de obra, algo extremamente benéfico para todas as nações.
O terceiro ponto de destaque é o conjunto de novas possibilidades econômicas adjacentes que circundam um novo atrativo ou empreendimento turístico. É fato! Sempre que um novo empreendimento é criado, por exemplo, toda a rede de comércio no entorno consolida-se também, formando uma espécie de cluster. Além do aspecto econômico, essa característica está ligada a um componente social.
A hotelaria é um braço importante, eu diria até mesmo imprescindível na indústria do turismo. Afinal, não existe turismo sem hospitalidade. Isso remonta às primeiras hospedarias e está registrado em um dos livros mais antigos do mundo. Sem ter o objetivo de fazer nenhum discurso religioso, mas um resgate histórico, podemos lembrar, inclusive, que a ideia de hospitalidade vem de muitos anos e é bíblica, como se pode ler em Hebreus 13:2: “Continuem a amar uns aos outros como irmãos. Não se esqueçam de demonstrar hospitalidade porque alguns, sem saber, hospedaram anjos”.
O que ocorreu com o passar dos séculos foi a modernização desse conceito. Inicialmente, as pessoas precisavam se transportar com caravanas entre cidades e passavam a noite em hospedarias que evoluíram para estâncias. A hotelaria moderna nasceu daí, inicialmente com foco em lazer, depois se especializando para atender ao segmento corporativo e chegando ao que vemos hoje, com os diferentes nichos que trazem novas possibilidades para todos os perfis de hóspedes.
Há hotéis focados em lifestyle, hotéis urbanos, os que investem em wellness. E há a multipropriedade, um negócio que surgiu mais próxima, intimamente ligada ao aspecto imobiliário, mas que rapidamente se consolidou pelo lado do desenvolvimento hoteleiro. As pessoas notaram as chances maiores de rentabilizar com a multipropriedade mais do que com a construção de um prédio de apartamentos unifamiliares. A possibilidade de vender a mesma unidade para várias pessoas, em frações de tempo, oferece valor geral de vendas melhor, o que impulsionou essa indústria.
O aspecto turístico traz um componente essencial e que viabiliza boa parte dos projetos. Meses antes de entregar os prédios já é possível comercializá-los, assim, a venda da fração ajuda no caixa da construção. Olhando essa mesma questão pelo recorte social, é importante reforçar a multipropriedade como geradora de postos de trabalho. Antes da entrega do prédio, o departamento de vendas já emprega centenas de pessoas.
A multipropriedade chega como uma solução para viabilizar projetos de hotéis de lazer, uma característica que impulsiona o turismo aos hotéis-destinos, aqueles que levam a hotelaria para locais onde não havia tradição de visitação anteriormente. O hotel se transforma no próprio destino, o que traz desenvolvimento econômico e social para a comunidade e para os fornecedores do entorno que se beneficiam desse movimento. Saberes tradicionais e a cultura genuína da região podem se transformar em uma entrega de experiência no hotel. E, claro, os turistas ganham com mais opções de lazer, cultura e atividades únicas à disposição.
O hotel não compra mais industrializados, não investe em aspectos artificiais. Ele cria vínculos com a comunidade local que vê no empreendimento um canal para divulgação de sua produção, gerando uma boa relação com o meio no qual ele está inserido. Essa retroalimentação é um dos maiores legados da multipropriedade para o setor.
Hoje, em que pesem tudo o que temos visto e vivido, reforçar a importância desse vínculo e trabalhar com base nessa premissa é lição de casa número um para quem empreende, está começando, é especialista ou usufrui da indústria do turismo.
*Por Rafael Delgado, head de Implantação e Operações da Livá Hotéis & Resorts