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Aviação / Manchete

Crescimento e desafios: Aline Mafra fala sobre o momento da Latam e aborda temas polêmicos da aviação

Aline Mafra, diretora de Vendas e Marketing da Latam (Eric Ribeiro/M&E)

BRASÍLIA – Em uma conversa franca com o M&E, Aline Mafra, diretora de Vendas e Marketing da Latam, compartilhou sua visão sobre o crescimento da companhia, as novas rotas e os desafios enfrentados no setor aéreo. Com uma trajetória marcada por conquistas e dificuldades, Aline trouxe detalhes sobre a situação atual da companhia aérea e suas perspectivas para o futuro.

M&E – A Latam tem alcançado recordes de passageiros internacionais em Guarulhos. Como você avalia esse crescimento, especialmente no primeiro semestre de 2024?

Aline Mafra – Estamos vivendo um momento bastante positivo na Latam. O crescimento que temos visto não se limita apenas a Guarulhos, mas reflete uma recuperação abrangente no mercado aéreo. Estamos operando a maior quantidade de destinos que já tivemos até hoje. No mercado doméstico, conseguimos retomar todas as rotas internacionais que tínhamos antes da pandemia, incluindo a nova rota para Los Angeles, que é uma grande adição ao nosso portfólio. Atualmente, estamos com 38% da capacidade do mercado doméstico e lideramos tanto em termos de capacidade quanto em passageiros transportados. No cenário internacional, alcançamos um crescimento significativo de 20%. Quando olhamos para Guarulhos, que é nosso maior hub, é impressionante notar que temos 60% da oferta de voos. Esse aeroporto é extremamente estratégico para nós, pois não só São Paulo é um grande emissor de passageiros, mas também possui uma demanda corporativa muito forte. Assim, a combinação de um mercado doméstico robusto e um crescimento internacional expressivo é motivo de comemoração para toda a equipe da Latam.”

M&E: Brasília também tem se destacado. O que você pode nos dizer sobre isso?

Aline Mafra – Brasília é um dos pilares da nossa operação no Brasil e representa nosso segundo hub no país. Com mais de 50% da oferta de voos no aeroporto sendo da Latam, isso demonstra nosso comprometimento com a região. Essa estratégia geográfica não apenas otimiza as conexões entre o Norte e o Nordeste, mas também atende a uma demanda significativa de voos governamentais e políticos. Recentemente, notamos um crescimento impressionante de 120% no número de passageiros internacionais que passam por Brasília, um resultado diretamente associado à nova rota Brasília-Lima. Começamos com três frequências e já estamos operando cinco, o que demonstra a aceitação do público. Além disso, o recente anúncio da rota Brasília-Santiago ampliará ainda mais nosso alcance, permitindo uma conexão mais fácil entre os passageiros que desejam explorar tanto o Brasil quanto o exterior.

Atualmente, estamos com 38% da capacidade do mercado doméstico e lideramos tanto em termos de capacidade quanto em passageiros transportados. No cenário internacional, alcançamos um crescimento significativo de 20%

M&E – E quanto à nova rota para Noronha? O que motivou essa decisão?

Aline Mafra – Noronha é uma verdadeira joia do Brasil e, por isso, sempre esteve no nosso radar. A decisão de inaugurar essa rota foi motivada pela combinação da qualidade da infraestrutura do aeroporto e as adequações que estão sendo feitas, como a reforma da pista. Estamos ansiosos para oferecer esse serviço, pois acreditamos que ele não apenas facilitará o acesso a um dos destinos mais icônicos do país, mas também impulsionará o turismo local. Além disso, estamos expandindo nossa presença em Recife, com a nova rota internacional para Santiago. Essas iniciativas estão alinhadas com nosso compromisso de conectar o Brasil ao mundo e proporcionar experiências de viagem únicas para nossos clientes.

M&E – Sobre o horário de verão, como isso pode afetar a operação da Latam?

Aline Mafra: A questão do horário de verão é extremamente complexa para a aviação. As alterações impactam significativamente o planejamento das escalas de voos, que é feito com meses de antecedência. Quando há uma mudança no horário, provoca-se uma discrepância nas conexões entre os voos domésticos e internacionais, o que pode resultar em atrasos e complicações para os passageiros. Por exemplo, um ajuste no horário de verão pode afetar os slots de partida e chegada, tornando difícil para nós gerenciarmos as conexões. Isso não só prejudica a experiência do passageiro, mas também pode gerar uma série de remarcações e alterações nos itinerários, complicando a operação. Portanto, embora a mudança no horário seja anunciada com antecedência, a real implementação e seus efeitos podem ser desafiadores para todos os envolvidos.

Um ajuste no horário de verão pode afetar os slots de partida e chegada, tornando difícil para nós gerenciarmos as conexões. Isso não só prejudica a experiência do passageiro, mas também pode gerar uma série de remarcações e alterações nos itinerários, complicando a operação

M&E – A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) realizou uma consulta pública para a proposta de resolução que define o tratamento a ser dispensado a passageiros que atrapalham e colocam em risco a segurança na aviação civil brasileira. Qual é a posição da Latam medidas mais rígidas a esses passageiros?

Aline Mafra – A Latam apoia a implementação de regras mais claras e rigorosas para lidar com a indisciplina a bordo. Temos visto um aumento nos casos de violência verbal e física, o que é inaceitável. A segurança de nossos funcionários e passageiros deve ser a prioridade. Frustrações podem ocorrer durante a viagem, especialmente em casos de atrasos, mas isso nunca justifica comportamentos agressivos. Acreditamos que, se tivermos regras bem definidas e penalidades para comportamentos inadequados, poderemos manter um ambiente seguro e agradável para todos. A indústria aérea deve ter mecanismos para lidar com essas situações de forma eficaz, garantindo que a cultura de respeito e civilidade seja mantida a bordo.

M&E – E quanto ao panorama para o final de 2024? Quais são suas expectativas?

Aline Mafra: O segundo semestre costuma ser mais forte do que o primeiro, e isso se alinha com o que temos observado até agora. Embora os números estejam dentro das nossas expectativas, o cenário econômico continua desafiador, especialmente devido aos altos custos de combustível e à flutuação do dólar. Esses fatores pesam significativamente na estrutura de preços da aviação. Estamos cientes de que, enquanto esses fatores não se estabilizarem, nossa capacidade de estimular a demanda pode ser limitada. No entanto, nossa estratégia de crescimento tem se concentrado em oferecer mais voos e aumentar a capacidade, o que deve nos permitir trazer mais pessoas para viajar. Mesmo enfrentando esses desafios, estamos confiantes de que, com nossa eficiência operacional e foco em qualidade, podemos continuar a expandir nossa base de clientes.

A Latam apoia a implementação de regras mais claras e rigorosas para lidar com a indisciplina a bordo. Temos visto um aumento nos casos de violência verbal e física, o que é inaceitável

M&E – Os processos contra companhias aéreas aumentaram 60% ao ano e Abear alertou para um “esquema sofisticado”. Como a judicialização afeta a Latam no Brasil?

Aline Mafra – A judicialização é um tema muito delicado e impacta fortemente nossa operação no Brasil. Para se ter uma ideia, cerca de 99% das solicitações de indenização que recebemos são originadas aqui, o que é desproporcional em comparação com os outros países onde operamos. Essa situação se torna ainda mais complexa quando consideramos que a maioria das contingências que enfrentamos está relacionada a eventos climáticos, que estão além do nosso controle. O sistema jurídico atual, que permite indenizações por danos morais mesmo em situações onde não há responsabilidade direta da companhia, acaba desencorajando novos investimentos na aviação brasileira. Precisamos de um debate construtivo sobre como abordar essas questões para garantir um ambiente mais equilibrado e seguro para todos os envolvidos, sem comprometer a qualidade dos serviços que oferecemos.

O sistema jurídico atual, que permite indenizações por danos morais mesmo em situações onde não há responsabilidade direta da companhia, acaba desencorajando novos investimentos na aviação brasileira

M&E – Por fim, a recente Lei Geral do Turismo vai permitir financiamento às companhias aéreas. A Latam pretende utilizar esses recursos?

Aline Mafra – A Latam tem a intenção de continuar crescendo e está constantemente avaliando opções de financiamento. Estamos otimistas com todos os esforços do Governo Federal para expandir a aviação no Brasil. No entanto, qualquer decisão nesse sentido dependerá de uma análise cuidadosa do mercado e das condições econômicas.

* O M&E viaja com proteção GTA.

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