
Novas modalidades turísticas incluem passeios até o espaço e às profundezas do mar (Reprodução/SpaceVIP)
Postar carros luxuosos, hotéis cinco estrelas e viagens de jatinho no instagram fazem parte do passado dos bilionários. De acordo com Jimmy Carroll, co-fundador da agência de viagens de luxo Pelorus, “os clientes agora estão procurando por algo fora do ordinário, algo que eles e seus amigos nunca fizeram antes”.
O dinheiro avassalador dessa classe agora pode comprar viagens além dessa terra, literalmente, e a palavra “experiência” é o que define essas novas modalidades de turismo. Isso significa que, se para a classe média, e até para a alta, o sinônimo de luxo está em viagens para Dubai e comer nos melhores restaurantes de estrelas Michelin, hoje, para sair do considerado “ordinário”, os muito ricos têm que pensar acima das nuvens.
Experiências de nível estratosférico
Não é segredo que o trio de bilionários Jeff Bezos, Richard Branson e Elon Musk, estão liderando o espaço sideral. As empresas dos três já mandaram civis para a órbita da Terra pelo custo de milhões e milhões de dólares. É justamente dentro dessas naves espaciais que os bilionários desejam estar nas suas próximas “experiências”.
O turismo espacial está ganhando força no mainstream. Somente até 2035, a economia espacial global espera atingir US$1.8 trilhões, sendo US$4 bilhões desse número vindo da modalidade turística até 2030. Os Estados Unidos, por exemplo, agora tem uma Força Espacial, e a Lua já possui um fuso horário próprio.
A nova estação espacial internacional Starlab, terá seu design de interiores feito pela rede de hotéis Hilton que, de acordo com o CEO da Voyager Space, Dylan Taylor, fará da estação “mais do que um destino, será uma experiência infinitamente única com as inovações e expertises do time Hilton”.
Apesar da crescente modalidade, até para os extremamente ricos, a possibilidade de estar a bordo de alguma dessas naves é muito pequena: existem menos assentos do que quantidade de pessoas interessadas. Daí vem a alta demanda e aumento de valor da experiência, que torna quem tem a possibilidade de viver isso na pele, um turista extremamente exclusivo, e pessoas ricas querem exclusividade.
Por agora, para preencher esse vazio enquanto as viagens espaciais não se tornam uma realidade para todos os interessados, outras empresas estão na busca de experiências que proporcionem aos seus clientes um “gostinho” do que é subir além das nuvens.
A Space VIP, por exemplo, disponibilizará ao final de 2025 a jornada “Zephato”, um passeio de balão a hidrogênio a 100 mil pés de altura, em uma cápsula pressurizada, que dura aproximadamente 6 horas. Durante o ponto mais alto da viagem, os passageiros poderão observar tanto a curvatura da Terra, quanto a escuridão do espaço.
Outra experiência, mas dessa vez entre o oceano e o céu, é o passeio de EVTOLs, uma espécie de aeronave de decolagem e pouso vertical, e que proporciona uma vista aérea das geleiras do polo norte e sul. Para Carroll, esse tipo de aeromóvel terá um aumento significativo nos próximos 5-10 anos, por ser movido a energia limpa.
Dos céus às profundezas
Contudo, existem também aqueles que, além de olharem para cima, olham para baixo – muito baixo. O fundo do oceano também está intrigando a classe alta. Vimos, no ano de 2023, por exemplo, a tentativa frustrada do CEO da companhia OceanGate, Stockton Rush, de chegar até os destroços do Titanic em tempo real. A vontade de Stockton, para muitos, parecia absurda, mas já é uma realidade aos bilionários.
Larry Connor, outro bilionário americano, declarou ao The Wall Street Journal que, poucos dias após a implosão do Titan, o submarino que carregava Stockton Rush e outras quatro pessoas, o empresário entrou em contato com o diretor executivo da Triton, companhia renomada de submarinos.
O objetivo de Connor era voltar ao mesmo local para “mostrar às pessoas em todo o mundo que, embora o oceano seja extremamente poderoso, pode ser maravilhoso e agradável e mudar a vida se o fizermos da forma correta”, como declarou para o mesmo jornal.
O modelo de submarino que Connor pretende usar será produzido pela Triton, com preços que variam de US$2.7 milhões a US$35 milhões a unidade. Para Craig Barnett, diretor de vendas da Triton, isso tem a ver com a vontade de viver o extraordinário e, claro, ser exclusivo.
“Nós tivemos clientes que vieram até nós e disseram, ‘eu esquiei do polo norte até o sul. Eu escalei até o pico mais alto dos sete continentes, mas estou fascinado ao descobrir que ninguém nunca visitou o ponto mais fundo dos cinco oceanos. Você pode construir um submarino para fazermos isso?’, então nós realmente construímos”, declarou Barnett ao Skift.
As contradições do turismo bilionário

Missão da Triton até Challenger Deep recolheu mais de 200 mil amostras científicas (Reprodução/Triton/Skift)
Apesar das novas modalidades e possibilidades de turismo serem fascinantes para muitos, existem aqueles que também questionam essa cultura da ostentação e exclusividade. Em um mundo onde as diferenças de classe e os efeitos das mudanças climáticas reinam, como essas viagens podem influenciar para a evolução do planeta?
Para Blue Origin, empresa aeroespacial de Jeff Bezos, “pessoas que voam até o espaço voltam para a Terra com uma perspectiva diferente sobre o planeta. Elas reconhecem a fragilidade dela e o porquê de termos que preservá-la”, declarou a empresa.
Em um mergulho da Triton até o fundo do Challenger Deep, por exemplo, a companhia coletou mais de 200 mil amostras científicas que proporcionaram a descoberta de 14 novas espécies marinhas nunca vistas antes.
As idas até o espaço, que iniciaram com a corrida espacial da Guerra Fria em meados dos anos 60, também deram origem a uma longa lista de tecnologias que hoje fazem parte do nosso cotidiano, como fones sem fio, as pequenas câmeras em nossos celulares, o computador portátil, entre muitos outros.
Embora questionável, o fato é que essa realidade das viagens tecnológicas e experiências únicas, como voar até o espaço em um balão, ou chegar até o Titanic de submarino, não são mais coisas do futuro, já estão acontecendo aqui e agora.
*Com informações do Skift.