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Presidente Lula sanciona barracas da Praia do Futuro como patrimônio cultural sem garantir manutenção das estruturas atuais

Abih Nacional pede manutenção das barracas da Praia do Futuro em Fortaleza

Veto abrange trecho que garantia a manutenção da atual estrutura dos empreendimentos, com intervenções sendo autorizadas apenas pelo poder municipal (Reprodução/Governo Ceará)

Nesta quarta-feira (8), o presidente Lula sancionou, com vetos, a lei que reconhece as barracas da Praia do Futuro, em Fortaleza, como Patrimônio Cultural Brasileiro, em resposta à proposta do Congresso, que destaca os empreendimentos como espaços culturais importantes, valorizando a gastronomia local e eventos tradicionais.

Porém, um trecho foi vetado: o que garante a manutenção da atual estrutura das barracas, com intervenções sendo autorizadas apenas pelo poder municipal, com a justificativa de que a “proposição legislativa é inconstitucional e contraria interesse público ao afastar a competência da União de gerir e fiscalizar praia marítima, que constitui bem da União, de uso comum do povo”, e que a decisão traria “prejuízo do direito ao livre acesso e da preservação ambiental”.

Entidades comemoram

“As barracas, na verdade, são um grande esteio para toda essa população que vive aqui no bairro Praia do Futuro, que é um bairro, de certa forma, abandonado pelo poder público e não tem todos os serviços necessários da comunidade. E as nossas barracas têm esse papel importante de dar uma condição social melhor às pessoas que moram por meio do emprego e da geração de renda,” comemorou Fátima Queiroz, presidente da Associação dos Empresários da Praia do Futuro (AEPF), como uma grande conquista, que confirma o potencial turístico e cultural do local, além de reconhecer o trabalho dos barraqueiros. “Estruturas tão simples que foram, tão rudimentares, chegam a esse patamar para atender toda a população de Fortaleza, toda a população do Brasil e a um público internacional que só tem elogios para as nossas estruturas”, complementou.

“A partir do momento que a Praia do Futuro passa a ser um patrimônio cultural, nós vamos assegurar e garantir respeito e dignidade aos trabalhadores e as trabalhadoras que ali sobrevivem e resistem. Além de valorizar mais o mercado imobiliário”, pontuou Cícera Silva, presidente da Associação das Mulheres Empreendedoras do Ceará (AME),  representante dos ambulantes e massoterapeutas da Praia do Futuro.

Impactos

A aprovação ocorre em meio a uma disputa judicial que perdura desde 2005 sobre a demolição das barracas da Praia do Futuro, que ocupam a faixa de areia considerada área pública da União.

O texto ressaltou que, os mais de 70 estabelecimentos espalhados por sete quilômetros de praia, geram mais de 20 mil empregos diretos e indiretos, além de um faturamento anual de R$ 300 milhões.

Mas de acordo com o procurador do Ministério Público Federal (MPF), Alessander Sales, a medida não interfere no conflito entre empresários e União:  “Qualificar algo como patrimônio cultural é apenas uma declaração, um reconhecimento de que aquela manifestação, uso ou costume é um patrimônio da sociedade brasileira. Não significa que aquilo que foi reconhecido como patrimônio possa ocupar a faixa de praia como quiser.”

Ou seja, o reconhecimento não resolve o conflito de ocupação das barracas na faixa de praia: “Para isso, precisamos ou de uma negociação – que acreditamos ser o melhor caminho – ou de uma decisão judicial final determinando se as barracas podem ou não permanecer.”

Sobre o artigo vetado pelo presidente Lula, também acredita que continuaria sem alterar a situação, mas abriria uma discussão sobre a constitucionalidade desse parágrafo porque “não parece constitucional afirmar que as barracas, como estão hoje, podem ocupar a faixa de praia”.

Já Fátima Queiroz acredita que a medida traz segurança jurídica para a permanência das barracas: “Eu acho que o mais importante é essa segurança jurídica que passa a ter a partir de agora. Não temos mais a ameaça das barracas serem demolidas de uma hora para a outra”.

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