Imagine-se em um estádio lotado, prestes a começar um jogo histórico, ou em um show onde milhares esperam ansiosamente a primeira nota da banda favorita. Em 2025, o turismo deixará de ser apenas sobre visitar lugares icônicos e se transformará em viver momentos únicos, reforçando o turismo de experiências. Essa tendência, conhecida como Live Tourism (Turismo ao Vivo), promete redefinir a maneira como as pessoas viajam e consomem e virou estudo do Skift.
O turismo de eventos musicais será um dos grandes protagonistas dessa mudança. Artistas como Taylor Swift, BTS e Beyoncé não apenas atraem multidões, mas também impulsionam economias locais. Em 2023, fãs gastaram em média US$ 1,3 mil por show, incluindo ingressos, hospedagem e alimentação. No Brasil, festivais como Rock in Rio e Lollapalooza já demonstram o potencial econômico dessa movimentação, atraindo turistas internacionais e gerando impacto positivo em setores como hotelaria e transporte. O show de Madonna, em Copacabana, também se tornou um case de sucesso no turismo ao vivo, movimentando toda a cadeia turística do Rio de Janeiro – e para o ano que vem, Lady Gaga já está confirmada para apresentação no destino.
Com shows se tornando eventos multi-experienciais, espera-se que agências de turismo brasileiras comecem a oferecer pacotes exclusivos que integrem ingressos, transporte e hospedagem. A Smiles Viagens, por exemplo, já identificou esta procura e tem apostado na comercialização de shows com experiencias únicas, com vip pass, camarotes e mais. Além disso, o turismo doméstico pode ser impulsionado por festivais regionais e eventos culturais, como festas de São João no Nordeste ou o carnaval em cidades além do Rio de Janeiro.
O crescimento do turismo esportivo
Eventos esportivos continuam a ser gigantes do setor, com a Copa do Mundo de 2026 já movimentando bilhões em investimentos. No Brasil, os grandes jogos de futebol, competições de vôlei e Fórmula 1 podem seguir o exemplo de destinos como Nova Orleans, que transforma o Super Bowl em uma vitrine global, gerando emprego e renda. O primeiro jogo da NFL no Brasil, realizado em agosto na NeoQuimica Arena, prova que estamos no caminho certo e abre portas para a atração de outros grandes eventos esportivos a serem realizados no país.
A ascensão do turismo esportivo no Brasil representa uma oportunidade para melhorias em infraestrutura e serviços. Aeroportos, sistemas de transporte e hospedagem precisam estar prontos para atender ao crescimento de visitantes durante eventos de grande porte, como finais de campeonatos regionais e internacionais.
Astroturismo e fenômenos naturais
Outra tendência em alta é o astroturismo, que combina ciência e turismo para atrair visitantes a fenômenos como eclipses solares e auroras boreais. No Brasil, onde a biodiversidade e os céus limpos em áreas remotas são um atrativo, há espaço para promover experiências como observação de estrelas no sertão nordestino ou nos parques nacionais da Amazônia.
Sustentabilidade e o desafio do overtourism
No entanto, o impacto ambiental e social dos grandes eventos não pode ser ignorado. O turismo de massa pode sobrecarregar cidades, gerando lixo, aumento no custo de vida para moradores locais e perda de identidade cultural. Cidades brasileiras que recebem grandes festivais ou eventos esportivos precisam planejar estratégias sustentáveis para lidar com o fluxo de visitantes, garantindo que o turismo beneficie tanto a economia quanto a comunidade local.
O Brasil, com sua rica diversidade cultural e natural, está bem posicionado para aproveitar essa transformação. Criar experiências únicas, promover eventos culturais e integrar práticas sustentáveis são passos essenciais para consolidar o país como um destino de Turismo ao Vivo.
Em 2025, a experiência será o centro das viagens, e cabe ao Brasil se preparar para transformar momentos em memórias inesquecíveis, conectando turistas ao pulsar vibrante de sua cultura e natureza. Afinal, no turismo moderno, se não é ao vivo, já está ultrapassado.