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Dólar a R$6 e novo governo: ainda é possível sonhar com a graduação nos EUA? Especialista responde

O Brasil é o 9º país que mais escolhe os Estados Unidos como país para realizar uma graduação (Reprodução/Freepik)

O Brasil é o 9º país que mais escolhe os Estados Unidos como país para realizar uma graduação (Reprodução/Freepik)

O ano letivo finalmente teve seu fim neste mês de dezembro, um momento muito aguardado pelos estudantes do “terceirão”, que estão terminando o ciclo escolar. Muitos brasileiros sonham com a universidade, mas existem também os que vão um pouco além: almejam realizar uma graduação no exterior, especialmente nos Estados Unidos. Apesar do sonho, algumas preocupações não devem ser deixadas de lado: Como se organizar financeiramente se o dólar superou os R$6 neste ano? E como ter certeza que meu visto não será negado após a posse de Donald Trump, conhecido por suas políticas anti-imigração?

Para a especialista em internacionalização e CEO da Efígie Educacional, Lara Crivelaro, esse sonho de estudar nos Estados Unidos ainda pode ser realizado, através de técnicas e macetes que driblem o alto custo das universidades americanas, como as bolsas de estudo para estrangeiros e uma boa organização financeira, e também uma organização devida de documentos na hora de tirar o visto de estudante. Saiba mais abaixo.

Superando os desafios financeiros

Dólar alcançou a cotação de R$6,07 no início de dezembro (Reprodução/Freepik)

Dólar alcançou a cotação de R$6,07 no início de dezembro (Reprodução/Freepik)

Hoje, de acordo com dados do Open Doors, o Brasil ocupa o nono lugar no ranking de nacionalidades que mais procuram os EUA para realizarem uma graduação, e cerca de 16 mil estudantes migraram para o país norte-americano neste ano de 2024, número registrado pela primeira vez após a pandemia de Covid-19 de 2020.

No entanto, mesmo com os dados mostrando a preferência dos brasileiros, ainda neste ano, o dólar americano alcançou o valor de R$6,07 no início de dezembro, número alarmante para muitos dos estudantes que já trabalhavam para conquistar a tão sonhada vaga no exterior.

Isso porque, é de conhecimento de muitos que estudar em faculdades americanas exige organização financeira, devido aos altos custos das graduações. Claro que o valor a ser pago dependerá muito da instituição, localização e estilo de vida dos estudantes, mas, no geral, o gasto total para se estudar nos Estados Unidos varia entre US$35 mil e US$90 mil por ano. Na cotação atual, esses valores ficam por volta de R$180 mil e R$540 mil anualmente.

Lara afirma que isso, apesar de ser um susto, não deve impedir o estudante de realizar o seu desejo. “Sonhar com uma graduação nos EUA ainda é possível, mas exige planejamento financeiro e estratégico. O alto custo pode ser enfrentado através de diversas alternativas. Bolsas de estudo são o principal recurso para tornar esse objetivo viável, e muitas universidades americanas oferecem opções para estudantes internacionais, como bolsas baseadas em mérito acadêmico, desempenho extracurricular ou necessidade financeira”, explica Crivelaro.

A especialista também afirma que é essencial pesquisar instituições conhecidas por sua generosidade financeira e políticas de admissão “need-blind” ou “need-aware”. A primeira política diz que a universidade não levará em consideração a condição financeira na hora de admitir um estudante, e a segunda que dizer que a faculdade têm consciência da situação financeira do estudante e pode usar disso para admitir ou não o aluno.

Além disso, a CEO afirma que algumas universidades oferecem isenção parcial ou total das taxas acadêmicas, especialmente para estudantes com perfis diferenciados. “Programas como a Common Application permitem identificar essas oportunidades, e plataformas especializadas, como My Way, ajudam no mapeamento e na orientação. Outra alternativa, é buscar recursos externos, como organizações e fundações que financiam estudos internacionais”, comenta Lara.

“Planejar-se para aproveitar taxas de câmbio mais favoráveis, economizar previamente e considerar estados ou universidades com custo de vida mais acessível também são estratégias úteis. O suporte de consultores especializados pode ser determinante para estruturar candidaturas, incluindo a preparação de essays [redações], cartas de recomendação e um currículo que destaque conquistas relevantes”, completa.

Para além das bolsas, o estudante é permitido a trabalhar durante o seu tempo no país, e é até incentivado a estagiar dentro da própria universidade. “Para reduzir esses valores, também é permitido trabalhar no campus por até 20 horas semanais, o que ajuda a cobrir despesas. Com pesquisa e planejamento, é possível viabilizar o sonho de estudar nos EUA”, explica a especialista.

Trump e suas políticas anti-imigração

trump

Candidato foi eleito pela segunda vez nas eleições deste ano, e assume a presidência em 2025 (Divulgação/Library of Congress)

Outro fato que assombra muitos imigrantes é que o próximo presidente dos EUA, Donald Trump, prega ser contra a imigração ilegal no país e promete deportar em massa os imigrantes ilegais presentes hoje no país – nesse sentido, 230 mil brasileiros estão na mira do futuro presidente. Embora para estudar no exterior seja preciso tirar um visto de estudos, a grande preocupação é se essa política de Trump tornará o sistema de vistos no Brasil mais complicado. Para a especialista Lara, apesar do receio ser válido, não existem muitos motivos para se preocupar.

“A eleição de Donald Trump em 2024 reacendeu preocupações sobre possíveis mudanças nas políticas de imigração dos EUA, dado seu histórico de medidas restritivas em seu primeiro mandato. Mas, não há indicações claras de que o processo de vistos para estudantes internacionais será significativamente impactado. Durante sua campanha, Trump enfatizou o fortalecimento das fronteiras e ações contra a imigração ilegal, mas, em 2024, ele também propôs a concessão de green cards a estudantes estrangeiros formados em universidades americanas, visando reter talentos e fortalecer a economia do país. Essa posição demonstra um reconhecimento do valor dos estudantes internacionais”, explica.

Isso significa que, mesmo algumas áreas da imigração enfrentando restrições, o setor educacional permanece valorizado pelas universidades. “É essencial que estudantes internacionais se mantenham informados, consultando fontes confiáveis como o EducationUSA e o Departamento de Estado dos EUA, além de seguir as orientações das instituições de ensino. Mesmo com uma retórica mais rígida, não há evidências concretas de mudanças drásticas no processo de vistos acadêmicos”, justifica Crivelaro.

Ainda assim, mesmo com as falas de Trump, seria irracional aplicar medidas que dificultem a imigração de estudantes internacionais, tendo em vista que no ano acadêmico de 2022-2023, mais de um milhão de estudantes internacionais injetaram US$40 bilhões na economia dos EUA, sustentando mais de 368 mil empregos por meio de pagamentos de mensalidades e despesas de subsistência.

Como achar a faculdade perfeita?

Estudantes devem ter metas bem estabelecidas para escolherem suas graduações nos Estados Unidos (Reprodução/Freepik)

Estudantes devem ter metas bem estabelecidas para escolherem suas universidades (Reprodução/Freepik)

Agora que as principais preocupações atuais já estão esclarecidas, o próximo passo é descobrir a universidade perfeita. Assim como ingressar em uma graduação no Brasil, para Lara, um dos pontos chaves é o autoconhecimento, pesquisa e objetivos bem definidos. “O primeiro passo é entender os interesses, habilidades e metas de longo prazo, avaliando áreas de estudo que despertem motivação”.

Com metas estabelecidas, é preciso pesquisar quais instituições oferecem programas alinhados a suas preferências, além de reputação acadêmica, estrutura curricular, corpo docente, localização e custos. Lara conta que existem plataformas que podem ajudar nesse processo, como rankings universitários (Times Higher Education, QS Rankings) e ferramentas como a “My Way” da Efígie Academy.

“Além disso, visitar sites oficiais das universidades, participar de feiras educacionais, webinars e tours virtuais são maneiras eficazes de explorar opções. Redes de networking, como LinkedIn, também permitem contato com ex-alunos e profissionais da área para obter perspectivas valiosas. Para quem busca oportunidades internacionais, consultores especializados, agências de educação e programas de orientação são recursos para esclarecer dúvidas e facilitar o processo de escolha que devem ser considerados”, complementa Crivelaro.

Como aplicar para a faculdade desejada?

Desempenho acadêmico é muito importante para as universidades americanas (Reprodução/Freepik) Dólar Trump Graduação EUA Estados Unidos

Desempenho acadêmico é muito importante para as universidades americanas (Reprodução/Freepik)

Depois de encontrar a universidade desejada, aplicar para a instituição exige muita organização em cada uma das etapas. O aluno deve manter bom desempenho acadêmico e engajamento em atividades extracurriculares ao longo do ensino médio, pois, para ingressar em um faculdade americana, é fundamental construir um perfil competitivo. “Também é necessário preparar-se para testes como o SAT, ACT e exames de proficiência em inglês (TOEFL/IELTS), verificando as exigências de cada instituição”, explica a especialista.

A documentação exigida inclui histórico escolar traduzido, cartas de recomendação, essays [redações] e um registro de atividades extracurriculares. “É importante escolher o período de admissão adequado (Early Decision, Regular Decision ou Rolling Admission) e saber utilizar plataformas como o Common Application para o envio das candidaturas”.

Early Decision significa que o aluno poderá mandar sua candidatura de forma adiantada, por volta de novembro, para que receba a resposta antecipadamente. Isso demonstra que o estudante realmente tem um grande interesse naquela instituição. No entanto, caso exista a aceitação antecipada do aluno, o candidato se compromete a aceitar a vaga e não poderá analisar outras opções.

Já o Regular Decision segue o prazo que normalmente todos os candidatos mandam suas inscrições, por volta de janeiro, e as universidades, por sua vez, analisam essas candidaturas todas de uma vez. Nessa opção, o candidato pode aplicar para quantas universidades quiser e analisar suas opções caso seja aceito em mais de uma.

Por fim, as Rolling Admissions são avaliadas conforme vão chegando às universidades. Isso significa que, diferentemente da Regular Decision, cada candidatura será avaliada individualmente, e não em conjunto com outros candidatos. Esse estilo de admissão vai preencher as vagas conforme as candidaturas vão chegando, e não de uma vez só.

Após se candidatar, é só trabalhar a paciência. O estudante que seguir a todos esse passo a passo, certamente será aceito em alguma das inúmeras faculdades americanas. “Assim, estudar fora se torna uma meta possível, mesmo com desafios financeiros ou logísticos”, finaliza Lara.

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