BRASÍLIA – Em entrevista ao M&E, durante a Abav Expo 2024, Luana Nogueira, diretora-executiva da Alagev, destacou o expressivo crescimento do setor de eventos corporativos no Brasil. Em julho, o setor alcançou um volume recorde de R$ 7,6 bilhões em viagens corporativas, o maior registrado nos últimos dez anos. “A expectativa é fecharmos o ano com um crescimento de 4% a 5% em relação a 2023”, afirmou Nogueira, enfatizando que o segundo semestre tende a ser sempre mais forte que o primeiro.
De acordo com ela, esse aumento no volume de eventos nos últimos seis meses de cada ano está diretamente ligado à movimentação de orçamentos que precisam ser gastos até dezembro, especialmente após períodos de menor atividade. “Historicamente, julho e agosto marcam um ponto de virada, e o crescimento tende a se intensificar até dezembro”, explicou.
No entanto, Nogueira também apontou um desafio crítico: a infraestrutura não tem acompanhado o crescimento da demanda. “A gente tá precisando aí de um incremento de infraestrutura principalmente de malha aérea, porque a quantidade de assentos e a quantidade de unidades habitacionais para hotelaria ou mesmo espaço de eventos não tem crescido na mesma proporção e isso gera uma pressão um pouco grande em relação aos preços”, alertou.
Para lidar com essa situação, Nogueira ressaltou a importância de fomentar novos destinos e capacitar profissionais. Em colaboração com a Embratur, a Alagev está renovando um acordo de cooperação técnica que prioriza não apenas a promoção de eventos, mas também a sustentabilidade e os requisitos para atender eventos de grande escala. “Queremos mostrar que o Brasil não é apenas o país do carnaval e das praias, mas também um destino ideal para eventos corporativos internacionais”, destacou.
Ela também abordou as tendências futuras, com ênfase na crescente importância de práticas sustentáveis em eventos. “Estamos vendo uma demanda por locais que utilizem energia limpa e materiais recicláveis. O impacto ambiental das atividades deve ser cuidadosamente avaliado”, afirmou Nogueira. Essa mudança de foco não é apenas uma resposta às exigências do mercado, mas também uma necessidade de responsabilidade social.
Além disso, Nogueira enfatizou a necessidade de adaptação das políticas de viagens corporativas, especialmente em relação à Geração Z, que está transformando o perfil dos viajantes. “Os negócios são feitos por pessoas, e precisamos estar preparados para essa nova realidade. Isso significa revisar políticas e abordagens para atrair e reter esses profissionais jovens e exigentes”, concluiu.
Com um otimismo cauteloso, Luana Nogueira reafirma o compromisso da Alagev em impulsionar o setor de eventos corporativos, mesmo diante dos desafios que a infraestrutura ainda apresenta. Para ela, o foco em sustentabilidade e a adaptação às novas demandas do mercado são pilares fundamentais para garantir um futuro promissor para o setor.
* O M&E viaja com proteção GTA.