
Trump prometeu ampliar oportunidades para estrangeiros em setores estratégicos, especialmente no mercado de tecnologia, a partir de 2025 (Unsplash/ConvertKit)
A vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos Estados Unidos (EUA) reacendeu debates sobre políticas de imigração e o impacto para brasileiros interessados em vistos e Green Cards. Com uma postura voltada à retenção de profissionais qualificados, Trump prometeu ampliar oportunidades para estrangeiros em setores estratégicos, especialmente no mercado de tecnologia, a partir de 2025.
Durante sua campanha, Trump declarou em entrevista ao podcast All-In que pretende conceder Green Cards automaticamente a graduados em faculdades americanas, incluindo comunitárias. Em 2019, ele já havia apresentado um projeto para triplicar a oferta de Green Cards com base na carreira, aumentando a proporção de imigração de profissionais qualificados de 12% para 57%.
Segundo Wagner Pontes, CEO da D4U Immigration, a área da saúde liderou a obtenção de Green Cards entre brasileiros em 2024, com 23% dos casos. Em seguida estão os setores de tecnologia (18%), engenharia (17%) e administração (16%). Dados do Ministério das Relações Exteriores apontam que os Estados Unidos abrigam a maior comunidade de brasileiros expatriados, totalizando 2,085 milhões. Em 2023, o número aumentou em 185 mil, com destaque para Nova York (500 mil), Boston (420 mil) e Miami (400 mil).
Miami registrou 105 mil novos brasileiros no último ano, sendo um destino popular por clima, qualidade de vida e por representar 24% das compras internacionais de imóveis nos EUA. “A demanda por profissionais estrangeiros continuará independente do governo, especialmente para cargos estratégicos nos EUA”, avalia Pontes, destacando que o visto EB-2 NIW é uma das alternativas mais buscadas.
O visto EB-2 NIW, voltado a profissionais qualificados, dispensa oferta de emprego e requer comprovação de histórico acadêmico ou profissional. Outras categorias incluem o EB-1, destinado a indivíduos com habilidades extraordinárias, e o EB-5, concedido mediante investimentos que geram empregos no país.
O Departamento de Censo dos EUA apontou que estrangeiros representam 13,7% da população americana, com 45% possuindo ensino superior, um aumento de 15% em relação ao início dos anos 2000. “As fronteiras não são barreiras, mas oportunidades de colaboração e crescimento”, diz Warren Janssen, ex-diretor do USCIS.
Especialistas reforçam que possíveis mudanças no tempo de espera e burocracia dos vistos podem ocorrer, mas a necessidade de profissionais qualificados para a economia americana permanece alta. Em novembro, o país registrou a criação de 146 mil vagas no setor privado, conforme relatório do Departamento de Trabalho.