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Cruzeiros / Manchete

Clia Brasil alerta sobre falta de competitividade do setor de cruzeiros no Brasil

Marco Ferraz, presidente da Clia Brasil (Eric Ribeiro/M&E)

Sem dados oficiais ainda, a Clia Brasil projeta uma temporada de sucesso em 2023/2024. Com 195 dias de duração, a temporada reuniu 8 navios no país, que ofereceram quase 850 mil leitos, e podem ter injetado quase R$4 bilhões na economia nacional, com a criação de cerca de 48 mil empregos. Por outro lado, esta foi a temporada mais cara da história do país. Nunca o custo de operações no Brasil foi tão elevado.

A questão preocupa a associação e todo o setor, visto que outros mercados oferecem vantagens melhores, preços mais baixos, garantindo sua competitividade. Para não perder mais espaço, Marco Ferraz, presidente da Clia Brasil, faz um alerta e diz que está em conversas de negociação com fornecedores. Além disso, o presidente tem batido na tecla da criação de novos destinos para incrementar a prateleira de produtos dos agentes. Confira abaixo a entrevista completa.

M&E- A última temporada foi uma temporada recorde, segundo projeções e resultados das próprias armadoras. Apesar de não termos os números oficiais, o que isso significa para o setor de cruzeiros no Brasil?
Marco Ferraz – A gente tem a possibilidade de ter um número recorde. Contratamos a FGV para fazer o estudo, que deve ser apresentado até agosto. Mas temos sim a chance de chegar próximos do número de 2010. Tem tudo para acontecer, contudo, mesmo que não alcancemos esses números, fico feliz porque o importante é que geramos muito produto para o agente de viagem. Foram quase 900 mil leitos oferecidos. Estamos super felizes com a temporada, mas com receio da questão da competitividade.

M&E- Qual é a questão da competitividade?
Marco Ferraz – O Brasil nunca foi tão caro para operar como nesta temporada e isso traz impactos. Temos impactos para o futuro quando custamos caro assim. Na temporada que vem, já estamos com um navio a menos – uma redução de 80 mil leitos, e 15 dias a menos. Isso influencia na prateleira do agente, na geração de emprego, de renda…Como associação, já começamos a avisar que os custos estavam altos e precisávamos fazer alguma coisa. Agora, estamos trabalhando para tentar puxar um pouco para baixo estes valores. Não queremos ser mais baratos que ninguém, mas queremos ser competitivos. É nisso que temos trabalhado e isso vai repercutir na temporada 2025-2026, porque a temporada de 2024/2025 já está à venda.

Precisamos, como indústria, falar com todos. Temos feito visitas pós temporada e nesses encontros colocamos isso na mesa – porque acredito que todos querem mais navios e mais cruzeiristas no país. Para isso, precisamos buscar competitividade no Brasil, uma regulação atualizada e colocar de fato a questão da sustentabilidade na mesa também. Se a América do Sul não trabalhar, podemos ser colocados fora dos mapas dos navios dos cruzeiros – precisamos estar preparados.

Para Marco, “se a América do Sul não trabalhar, podemos ser colocados fora dos mapas dos navios dos cruzeiros”, alertou (Divulgação/Pier Mauá)

M&E – Como fazer para ao invés de perdermos navio, conseguirmos conquistar novos?
Marco Ferraz – Para garantir a competitividade, temos conversado com toda a linha de fornecedores que a gente tem – dos maiores e médios, com os terminais de passageiros, com a praticagem e portos para conseguir explicar o que está acontecendo e como podemos, juntos, como indústria, trabalhar para que o Brasil fique na média ou pelo menos próximo da média mundial em questão de custos de operação. Com os estados e municípios conversamos sobre impostos. Os terminais são como os aeroportos e os portos são como a pista – falamos muito na redução dos impostos de combustíveis, para termos competitividade assim como na aviação. Por outro lado, temos trabalhado muito com o Ministério do Turismo e com a Embratur. Com o Ministério, temos revisado as questões trabalhistas – para que a gente reduza as ações trabalhistas com ações legislativas no congresso, além da abertura de novos destinos. Sempre precisamos de novos destinos e precisamos dos esforços dos municípios, dos estados, do Governo Federal, da Antac, da Marinha, etc., para realizar estes investimentos e abrir novos pontos pelo Brasil. Com a Embratur, temos trabalhado a promoção do setor mundo afora.

M&E – Além da questão da diminuição dos custos e competitividade, o que mais falta para alavancar o setor de cruzeiros no Brasil?
Marco Ferraz- Faltam novos destinos! Os cruzeiristas tendem a ser repeaters e eles precisam ter novos lugares, roteiros e itinerários para explorar. Precisamos colocar mais destinos nas prateleiras dos cruzeiros. Balneário Camboriú foi um case de sucesso, que demorou mais de 7 anos para ser aberto e agora recebeu mais de 60 escalas de navios grandes. Temos a Ilha do Mel caminhando, Paranaguá que já abriu, Vitória (ES) em processo de desenvolvimento, Itaparica, que já está praticamente pronta. Mas precisamos de novos destinos.

M&E – Teremos outras novidades nesta temporada?
Marco Ferraz – Temos novas escalas confirmadas, sendo 3 para a Ilha do Mel
(PR), onde teremos paradas de longo curso e de navio de expedição. Uma companhia de expedição deve fazer uma repetição para a Ilha Anchieta (SP) e devemos ter Morro de São Paulo (BA) também. Estamos trabalhando destinos no Norte do país, para que companhias de expedição possam fazer paradas em destinos como Atins e Lençóis Maranhenses, assim como Delta do Parnaíba. São 3 destinos que essas companhias demonstraram interesse.

M&E – Qual a importância do agente de viagem para o setor?
Marco Ferraz – 80% das vendas de cruzeiros no Brasil vêm do canal de agentes – ou seja, oito em cada 10 vendas são feitas através de agentes de viagem. O agente é o principal canal que faz esse casamento do perfil do passageiro com os produtos. É bacana poder colocar tanto produto na prateleira dos profissionais.

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